terça-feira, 26 de abril de 2016

Pilates Aplicado a Reabilitação da Esclerose Mútipla


Já falei pra vocês da minha grande paixão pela neurologia? Pois é, nem tudo é como a gente planeja. Na faculdade a minha grande inspiração era a Professora Eloa Chiquetti, sempre admirei minhas professoras, mas era pela profê Eloá que meus olhos brilhavam. E nessas pequenas oportunidades de escrever sobre temas de neurologia, recordo todo meu apreço por essa matéria. Que ao meu ver é a menina dos olhos da fisioterapia. Tem uma frase que eu lembro dela até hoje e é assim, “Um Fisioterapeuta bom não trata patologia, trata os sinais e sintomas das patologias”. Essa frase me acompanha até hoje.

Esclerose Múltipla

É uma doença neurológica, crônica e autoimune, ou seja, as células de defesa do organismo atacam o sistema nervoso central, isso provoca lesões cerebrais e medulares. De causa desconhecida, os pacientes geralmente são jovens, de 20 a 40 anos de idade e mulheres.

Sintomas relacionados a reabilitação com o Método Pilates

Fadiga
Por vezes debilitante, incapacitante e imprevisível ou ainda desproporcional em relação a atividade realizada. Muito comum na EM e manifestada por cansaço intenso, comum quando o paciente se expõe ao calor ou quando faz esforço físico intenso, ou seja, as consultas de pilates devem tem objetivos priorizados, para não existir gasto energético desnessário, todos os exercícios devem ser leves, nem mesmo moderados, somente leves, é preciso lembrar que o indivíduo tem um dia todo ou muitas atividades pela frente e o pilates não pode nem deve consumir toda sua energia física.

Alterações Fonoaudiológicas e transtornos visuais
Com os anos podem surgir alterações da fala e da deglutição, acompanhada de determinados sintomas, fala lentificada, palavras arrastadas, voz trêmula, disartrias e disfagias. Não tratamos a fala, mas dependemos imensamente dela, ou seja, paciência, fale, aguarde a resposta, lembresse que é preciso dar tempo para todo o sistema funcionar e o indivíduo não se sentir pressionado a fazer tudo rápido. O tempo da aula é o tempo do aluno e nós estamos ali para respeitar este fato.
A visão pode se mostrar embaçada e dupla, acompanhar de perto o indivíduo é de extrema importância, alertar objetos impedindo o caminho e trabalhar a marcha nessa situação.

Problemas de equilíbrio e coordenação
Perda de equilíbrio, a fase em que a EM se encontra é determinante para a escolha dos exercícios de equilíbrio, mas via de regra, sempre trabalhar os exercícios em base estável e depois em bases instáveis e sempre com apoio. Se o desequibrilio esta avançado não existe a necessidade de correr o risco de colocar o paciente em bases instáveis, lembre se, ele já tem estimulo demais.
Para o trabalho de coordenação existem exercícios como o helicóptero, trabalhos funcionais e conjuntos de várias partes corporais, por exemplo, em pé, flexione o joelho direito a articulação do quadríl e eleve o braço esquerdo, exercícios simples, eleve o braço direito e olhe para a esquerda e assim por diante. Como sempre é bom lembrar que as articulações precisam não só de coordenação, mas serem estimuladas em todas suas amplitudes, ser coordenada, firme e ter direção, logo é preciso trabalhar também a firmeza das articulações e a direção do movimento.

Tremores
Os tremores são trabalhados com contenção, como dito acima, firmeza de movimentos, se for utilizado a mola precisa ser no conforto da força do aluno, nem pesada que aumenta ainda mais a fadiga e nem leve que proporciona desequilíbrio postural.

Espasticidade
Sobre este sintoma tentarei ser suscinta, mas é quase impossível, vou englobar aqui e outro dia faço um tema a parte, é muito vasto para pouca conversa.
Ocorre uma alteração do tônus muscular, hipertonia e exacerbação de reflexos profundos, na EM é mais comum nos membros inferiores. Esse na minha opinião é um dos sintomas mais complicados, é preciso inibir a atividade reflexa para normalizar o tônus muscular e facilitar o movimento normal ou mais próximo do normal, ou seja, evitar e combater os padrões de movimento e posturas relacionados aos mecanismos reflexos liberados, podemos adotar quebra de padões postuais e controle da espasticidade. De uma forma geral, mobilizações, desenvolvimento postural e alongamentos. Não tenha medo de utilizar técnicas como Bobath e Kabath, que podem ser utilizados com o auxilio das molas ou bandas elásticas.
Os equipamentos de pilates entram para realizizar atividades cinesioterápicas, porém é necessário que seja utilizada na movimentação passiva, por exemplo as molas no leg springs, exercícios realizado no cadillac, pode ser usada para elevação e o profissional auxilia em todo o arco de movimento.
Pode ser necessário a utlização de talas e orteses, para auxilar em posicionamentos ou facilitar movimentos dentro de um padrão mais próximo do normal.

Transtornos cognitivos
Não tratamos tais transtornos mas é importante saber conviver com eles, ou seja, a falta de memória pode aparecer independente de sintomas físicos e motores, explique todos osexeercícios propostos, todas as aulas, explique tudo e tudo sempre.

Transtornos emocionais
Novamente, não tratamos mas precisa saber conviver com o outro e suas questões emocionais.

Por fim, estamos utilizando pilates, os exercícios fundamentais são extremamente importantes, de amplitudes de movimento primárias, movimentos compostos, adaptações, conforto e facilitações são extremamente necessárias. A avaliação precisa ser realizada para se compreender de que ponto partir, em qual fase a patologia se encontra. Os princípios precisam ser utilizados com todos os conceitos que o método propõe.

Fer


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Bibliografia utilizada:

  1. Esclerose Mútipla, Estudo descritivo de suas formas clínicas em 302 casos
    Autores: Marco Aurélio Moreira, Eduardo Felipe, Maria Fernanda Mendes, Charles Peter Tilbery
    Arq. Neuro-Psiquiatri.vol.58 n.2B, São Paulo, Junho 2000
  2. Tratamento da Espasticidade, Uma atualização
    Autores: Hélio A. G. Teive, Marize Zonta, Yumi Kumagai
    Arq. Neuro-Psiquiatri.vol.56 n.4, São Paulo, Dezembro 1998
  3. Consenso Nacional sobre Espasticidade, Diretrizes para diagnósticos e tratamento
    Autor: Sergio Lianza (esse teve vários colaboradores, mas não dá pra citar todos!)
    Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação

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